quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Cesar Maia é o culpado

Na página do Demo, obviamente recheada das mais variadas asneiras, há um texto que supera tudo que existe de mais absurdo. O autor não poderia ser outro: Cesar Maia.


Tem que ter coragem para ler até o fim. A argumentação tem passagens bisonhas como essa:


Décadas atrás, o sapato esportivo, o tênis, por exemplo, era usado exclusivamente para a prática de determinado esporte. Hoje, o calçado esportivo penetra indistintamente nas mais diversas atividades, mesmo as não esportivas, e passa a ser um sapato de uso rotineiro. Tanto a indústria de calçados quanto de vestuário exigem uma permanente atualização e novos lançamentos, sejam eles inspirados por pesquisas voltadas ao esporte ou devido à competitividade do mercado para todo tipo de uso.


O texto é longo e segue essa linha expositiva para enaltecer o desenvolvimento econômico provocado pela prática de esporte. Claro, tudo isso não passa da mais besta das besteiras. Na verdade, acontece justamente o contrário. Uma economia em crescimento é que permite que os mais diferentes esportes floresçam. É a existência de uma forte base econômica já estabelecida que pode liberar investimentos para a melhoria técnica de tudo que é relacionado ao esporte. Isso na economia REAL e não no mundo distorcido de Cesar Maia. Onde já se viu economia crescer com fermento e não com investimentos sólidos e boa competitividade? Uma pista de atletismo não produz mais-valia. Um estádio não produz valor. Podem até produzir empregos, mas sempre como processo derivado da cadeia produtiva real. Mas Cesar nunca vai entender isso.


Enquanto nosso Prefeito escreve essas bizarrices, enquanto ele enche a boca para falar de segurança, de educação, de transporte público sem nem saber o que é um ônibus, em Jacarepaguá uma tragédia acontecia.


O Pan acabou e o Rio piorou. Até agora não consegui ver nenhuma melhoria nos transportes públicos e o trânsito continua a mesma merda. Resultado da política assassina da prefeitura em relação aos transportes, as empresas de ônibus tiveram permissão para explorar não só os usuários, mas os próprios funcionários. Quando os microônibus começaram a circular em grande quantidade a falta de respeito ganhou o nome de modernização. Um ônibus sem trocador é mais lento, mais confuso e mais perigoso. Quando o motorista é obrigado a fazer o trabalho de dois, as paradas são mais demoradas e a sua atenção é dividida. Isso sem contar que muitas linhas feitas por microônibus não comportam a demanda de passageiros. Esses ônibus andam lotados em horários em que bastaria um ônibus normal para resolver o problema. Os mortos de ontem em Jacarepaguá foram assassinados por essa política de transporte público carioca.


É bom lembrar.

Cesar Maia e os donos das empresas de ônibus não andam de ônibus.

Nenhum comentário: