segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O mito da coação

Muito se escreve e fala, em diversos jornais e revistas, telejornais e blogs, a respeito da ação dos grupos armados no cenário eleitoral carioca. O tom é sempre o mesmo, de condenação e indignação. Um absurdo! Coagem o eleitor, intimidam o povo, dizem todos.


É o costume. Isentam o povo das grandes cagadas da humanidade. No final somos todos coitados, manipulados. E a tão festejada democracia? Nada significa.


Milícias e traficantes têm seus candidatos. Alguns já eleitos e atuando na presente legislatura. Impedem campanhas de outros candidatos nos seus respectivos redutos. Mas que se saiba, não vão fuzilar a comunidade onde se encastelam caso a vitória nas urnas não seja alcançada.


E a vitória é quase certa não por causa da interferência negativa na campanha dos concorrentes. Os candidatos da milícia/tráfico ganham por um motivo simples e ao mesmo tempo incômodo. Ganham porque o povo vota neles. Ganham porque o povo gosta deles. Ganham porque representam o que o povo pensa e quer. No caso das milícias, que contam com a simpatia de grande parcela do POVO e de setores oficiais, não há como esconder que existe uma ligação espontânea dos seus candidatos com as comunidades. Não há coação. Há cumplicidade.


Vai ver é isso que escandaliza. Descobrir que o povo não é o cordeirinho e sim o responsável. Enquanto gastam saliva e tinta tentando livrar a cara da democracia e demonstrar o fato como desvio, há participação efetiva de candidatos suspeitos na campanha oficial.




Como sustentar a tese de coação quando até um partido "sério" como o Demo, partido do Prefeito e de sua candidata, embarca na promoção e aceita a presença de um "xerife" nas suas fileiras?


A vontade do povo é soberana. E o povo terá o que ele determinar.


E viva a democracia!



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